O que pretendo com minha produção é investigar a visão, o olhar e qual é a relação disso com nossa apreensão do real (aquele que escapa do imaginário e do simbólico). Parto do pressuposto de que somos enganados pela visão. Quero entender de que maneira a visão sintetiza e constrói a nossa noção de paisagem. No meu trabalho faço o exercício de ver a referência imagética durante pouco tempo e a partir dali tento reproduzir a imagem através do que lembro ter visto. Lido assim com a memória, com o que resta da visão. As imagens que foram se criando, ora a partir de fotografias de registros de viagens, ora através de colagens feitas com revistas antigas, foram me mostrando meu gradativo interesse por água, igapós, vegetação do cerrado (predominante em minha cidade de origem, Belo Horizonte), jardins, que considero a natureza domesticada, céus e fogo. Na minha última série desenvolvida (Realmente uma ilusão) abro janelas no meio da imagem com ambientes externos. Crio assim, paisagens idealizadas, fluidas e oníricas. Quero condicionar o espectador a associar jardins e paisagens aos jardins e paisagens do Brasil.