Iramara de Freitas Reis nasceu em Nova Serrana, Minas Gerais. Aos vinte e dois anos mudou-se para Belo Horizonte para cursar Artes visuais na habilitação em Licenciatura pela Universidade federal do Estado.
Foi aos treze anos de idade que teve seu primeiro contato com o ensino e aprendizado em Artes Visuais na cidade onde nasceu no ateliê de um professor e artista visual com quem aprendeu suas primeiras técnicas de desenho e pintura. Inicia o curso de Artes Visuais da escola de belas artes na UFMG, originalmente na habilitação de Licenciatura, cursando, de maneira concomitante, matérias de Pintura.
Suas pesquisas se relacionam as questões étnico-raciais e ganham, em sua produção pictórica, recortes sobre as vivências do feminino por corpos negros no Brasil.
Em seu trabalho pictórico pesquisa a identidade. Através da autorrepresentação busca a reflexão sobre como as identidades de pessoas racializadas foram e continuam sendo forjadas no Brasil, um país com histórico escravagista. Com um recorte de gênero, as reflexões apontam para as vivências de corpos femininos negros nos quais os padrões de feminilidade e beleza se impõe conformando assim formas diversas de opressão.
Em suas pinturas, uma constante aparição de imagens femininas é representada, onde, algumas destas são cópias de representações de obras famosas da história da arte, como a escultura da Vitória de Samotrácia e uma das três graças da pintura de Rubens. Estas que por sua vez se misturam a representações de mulheres negras, criando assim a incitação para reflexões sobre apagamento, na história geral e na história da arte, bem como os estereótipos relegados as mulheres negras que remontam a época da colonização e escravidão no Brasil.
Percorrendo um caminho onde passado e presente se cruza, desvelando identidades e origens, vai descobrindo quem é de onde vem e sobre o que significa ser uma mulher negra no contexto onde nasceu e os ressignificados possibilitados através de seu trabalho artístico.